Parece complicado? Não se assuste. O Refluxo Gastroesofágico (RGE), definido assim pela Federação Brasileira de Gastroenterologia, é muito mais comum do que se imagina, podendo se manifestar em pessoas de todas as idades. Entretanto, a recorrência é maior na infância: mais de 90% dos recém-nascidos apresentam casos de refluxo. A boa
notícia é que, uma vez diagnosticado, o refluxo pede somente alguns pequenos cuidados, que colaboram para a melhora da condição não só das crianças, mas também dos adultos.
O refluxo é a percepção da volta de algum alimento ingerido (sólido ou líquido) do estômago em direção a boca, sem enjôo ou vômito, mas freqüentemente com azedume ou amargor. Segundo a gastroenterologista pediátrica, Dra. Iara Cerqueira (CREMEB- 8758), nos recém-nascidos, os episódios de refluxo são muito comuns, pois ocorrem geralmente pela “fraqueza” ou “relaxamento” do esfíncter, um músculo localizado na extremidade inferior do esôfago. “Quando a pressão sobre a região do estômago é maior que a normal, o músculo não consegue impedir o fluxo que segue no sentido contrário, em direção à boca, causando o vômito ou a regurgitação”, explica.
De acordo com a Dra. Iara, a partir dos seis meses os episódios de refluxo começam a diminuir. “Em alguns casos, eles podem persistir até um ano ou um ano e meio”, diz. Nesse sentido, os pais não devem dar nenhuma medicação. “O bebê é um vomitador feliz. À medida que o músculo se fortalece, ele ganha peso, cresce e tem sono tranqüilo”.
No entanto, em 20% dos casos, o bebê deixa de ter o refluxo normal, chamado de fisiológico, e passa para o patológico, quando a freqüência passa a ser intensa. “Quando o refluxo é patológico, a criança começa a ter sono intranqüilo, chora muito, golfa pelo nariz. Nesse caso, os episódios podem levar a uma desnutrição pela perca de peso em razão dos vômitos e a problemas respiratórios, tais como pneumonia (o leite pode fluir para o pulmão) e esofagite (inflamação do esôfago, pelo conteúdo ácido do estômago)”, afirma Dra. Iara.
Segundo a gastroenterologista, o tratamento direcionado ao refluxo é muito simples, pedindo nada mais do que atitudes educativas e preventivas. No Refluxo fisiológico só medidas gerais, descritas no Box, além da manutenção do aleitamento materno. “Não é em todo bebe que golfa que nós fazemos os exames. O RGE fisiológico não necessita de exames. Eles só são necessários quando o RGE é patológico, sendo que os exames variam de acordo com os sintomas do paciente. O que a gente preconiza é que tenha uma alimentação saudável, e que o desmame seja feito de maneira adequada”, explica.
Já os adultos devem evitar uma lista de alimentos que, além de estimular a produção de ácidos digestivos, também colaboram para a fraqueza do esfíncter: gorduras e frituras, chocolate, menta, chá preto e mate, sucos cítricos (ácidos), bebidas alcoólicas, alho e cebola, café, refrigerante e iogurte. “Alguns pacientes melhoram com essas medidas, outros precisam de medicação”, diz Dra. Iara Cerqueira.
Alguns conselhos para crianças com refluxo:
• Deixar a criança no colo até ela arrotar;
• Evitar chacoalhar a criança após as mamadas;
• Evitar pressionar o abdome na troca de fraldas ou ao abraçar o bebê;
• Evitar dar alimentos não recomendados;
• Seguir a medicação correta indicada pelo pediatra;
• Pôr a criança no berço somente uma hora depois da amamentação e de bruços, em berço elevado (se for o caso).