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Técnicas pouco invasivas dispensam cirurgia para tratar as dolorosas hérnias de disco
Um conjunto inovador de procedimentos realizados com um furinho na pele pode ser a solução para pessoas que sofrem com as dores de uma hérnia de disco.
 

     As cirurgias de coluna com corte, anestesia geral e recuperação demorada assustam até quem sofre com as dores de uma hérnia de disco. Mas um conjunto inovador de procedimentos realizados com um furinho na pele pode ser a solução para pessoas como a médica Ana Maria Noyama, de 36 anos. Ela sofria com o problema há oito. No ano passado, ficou de cama quatro vezes devido às crises causadas pela hérnia. Havia perdido a sensibilidade nas coxas. Há dois meses, recebeu um dos novos tratamentos. ‘’A sensibilidade voltou no mesmo dia’’, conta a médica.
      Os novos tratamentos são uma alternativa quando analgésicos e fisioterapia não surtem efeito. Não exigem anestesia geral ou internação, e os pacientes saem andando do procedimento. Podem retornar a suas atividades em 48 horas e à prática de esportes em seis semanas. ‘’Na cirurgia, leva 90 dias’’, diz o ortopedista Rubens Rodrigues.
     O administrador de empresas Luís Bonasio, de 58 anos, submeteu-se a uma das novas técnicas em agosto. A hérnia surge quando parte do núcleo do disco entre as vértebras, chamado de intervertebral, escapa. Ele pressiona nervos, como o ciático, que passam pela coluna, gerando dor intensa. Para tratar a hérnia de Bonasio, um cateter com uma pequena rosca na ponta foi inserido por uma agulha na lombar. Os movimentos da rosca retiram o tecido que havia escapado do núcleo do disco intervertebral, aliviando os nervos. ‘’Entrei de manhã no hospital e saí à tarde, sem dor’’, comemora Bonasio.
     Outro método utiliza energia elétrica para aquecer a 90 graus Celsius o núcleo do disco. O cateter é introduzido pelo lado oposto à hérnia para reduzir a chance de o calor irritar as raízes nervosas, o que provocaria mais dor. Uma das primeiras técnicas desse tipo foi criada nos Estados Unidos, em 1999.
     ‘’Como é um método simples, todo mundo vai querer fazer’’, diz Tarcísio Barros, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. ‘’Mas o importante é a indicação’’, adverte. A nova técnica só é indicada a hérnias lombares quando o pedaço que escapou do núcleo do disco não se fragmentou. O procedimento é eficaz em 80% dos casos, segundo o ortopedista José Nogueira.
     As técnicas ainda têm preços dolorosos. O cateter mais a ponteira, descartáveis, custam cerca de R$ 13 mil. O plano de saúde de Ana Maria cobriu o procedimento, mas ela não tem dúvidas de que pagaria se fosse preciso. ‘’Você não imagina o que é viver sem dor.’’


Fonte: Revista Época, Edição 358, 28/03/2005.