O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável de mais de 40 doenças, entre elas o câncer de vários órgãos diferentes, as doenças cardíacas e o derrame cerebral. Deve ser considerado uma pandemia, uma vez que, anualmente morrem no mundo cinco milhões de pessoas decorrente dessas doenças, o que equivale aproximadamente a seis mortes por segundo. Dados do Instituto Nacional de Câncer revelam que, no Brasil, um terço da população adulta fuma, sendo 11,2 milhões de mulheres e 16,7 milhões de homens. Noventa por cento dos fumantes ficam dependentes da nicotina entre os 05 e os 19 anos de idade. “O tabagismo é uma dependência química e já é encarado como doença. Inclusive consta no livro da CID – Classificação Internacional das Doenças”, afirma a pneumologista Dra. Marta Leite de Sá.
De acordo com ela, durante o consumo do cigarro, o indivíduo introduz no organismo mais de 4.700 substâncias tóxicas, incluindo nicotina, monóxido de carbono, alcatrão, agrotóxicos e substâncias radioativas. “A nicotina causa dependência da mesma forma que a cocaína, a heroína e o álcool. A nicotina estimula os receptores cerebrais que dão sensações de bem-estar, euforia e relaxamento. Na hora que se retira essa substância, os receptores já acostumados normalmente sentem falta delas”, explica.
Há pouco tempo atrás, acreditava-se que a força de vontade bastava para que uma pessoa parasse de fumar. No entanto, a maioria dos fumantes necessita de ajuda especializada, além da força de vontade, para abandonar o vício. Segundo a Dra. Marta Leite, aproximadamente 90% das tentativas de cessação do tabagismo não são assistidas por um especialista. Conseqüentemente, têm baixos índices de sucesso (3% a 5%). “O primeiro mês é o pior, por causa dos sintomas produzidos pela abstinência, como ansiedade, fraqueza, insônia e nervosismo”, diz.
Entretanto, apesar da poderosa natureza viciante da fumaça do tabaco, há vários esquemas eficazes para a cessação do tabagismo. As intervenções terapêuticas focalizam-se no crescente sucesso do uso de abordagens comportamentais e/ou farmacoterapia. Assim como um hipertenso ou uma vítima de colesterol alto, o fumante precisa, antes de tudo, adotar novos hábitos, saber porque fuma, assim como identificar situações que o deixa mais ansiosos por um cigarro.
Segundo a pneumologista, pode-se usar remédios à base de bupropina (que tira a vontade de fumar), ou reposição controlada de nicotina. Dentre as modalidades de liberação controlada do produto, estão a goma de mascar, os discos na pele, a medicação via oral e o adesivo cutâneo. “Nós fazemos o tratamento de três maneiras: com comprimidos, via oral, usado por três meses; discos na pele contendo nicotina e/ou goma de mascar contendo nicotina, sempre acompanhado de suporte psicológico. A escolha do método vai depender do grau de dependência do fumante e da sua disponibilidade”, explica.
“A melhor campanha para diminuir o vício do tabagismo é a da prevenção voltada para os jovens nas escolas, já que está havendo um aumento na incidência do fumo entre adolescentes. O fumante sabe tudo o que o cigarro faz, mas precisa ser mais estimulado a buscar a ajuda necessária para que consiga se livrar do vício. Isso é totalmente possível”, afirma Dra. Marta Leite.
Ao parar de fumar...
- Após 20 minutos: a pressão sangüínea e a pulsação voltam ao normal.
- Após 2 horas: não há mais nicotina circulando no seu sangue.
- Após 8 horas: o nível de oxigênio no sangue se normaliza.
- Após 12 a 24 horas: seus pulmões já funcionam melhor.
- Após 2 dias: seu olfato já percebe melhor os cheiros e seu paladar já degusta melhor a comida.
- Após 3 semanas: você vai notar que sua respiração se tornará mais fácil e a circulação sangüínea também irá melhorar.
- Após 1 ano: o risco de morte por infarto do miocárdio já foi reduzido à metade.
- Após 5 a 10 anos: o risco de sofrer infarto será igual ao das pessoas que nunca fumaram.